Como alguém que passou a carreira tentando aproximar burocracias estatais rígidas e empresas privadas dinâmicas e voltadas ao cliente, tenho grande satisfação em recomendar o trabalho da Oxford Business Masters. Minha própria trajetória — da mediocridade funcional da British Rail na era estatal à liderança de transformações globais em gigantes ferroviárias privatizadas como a ADTRANZ e a DaimlerChrysler — me ensinou o impacto profundo de trocar processos voltados para dentro por resultados voltados para fora. É uma lição que dialoga diretamente com os desafios das democracias hoje, como exploro em minha trilogia sobre como proteger a governança democrática da deriva autoritária.
Marcos Barros (CEO da OBM) e eu nos conhecemos pela paixão comum por romper as amarras da burocracia, o que culminou no livro que escrevemos juntos, Breaking the Chains of Bureaucracy. Nele, detalhamos estratégias comprovadas para reorganizar o setor público em instituições ágeis e responsáveis. Mas a experiência de Marcos com Objetivos e Resultados-Chave (OKRs) vai além, oferecendo um conjunto preciso de ferramentas para que organizações públicas alinhem suas ambições a resultados concretos. Suas raízes brasileiras e sua experiência internacional o colocam em posição única para adaptar esse modelo — nascido no mundo acelerado da tecnologia — ao universo muitas vezes labiríntico do setor público.
Em 2022, tive o privilégio de viajar ao Brasil com Marcos e acompanhar de perto o trabalho transformador no Ministério Público de um dos maiores estados do país. O que vi foi inspirador: um Ministério Público que havia adotado os OKRs para executar seu plano estratégico com eficiência notável. Equipes que antes se perdiam na burocracia e na inércia dos silos agora geravam avanços mensuráveis — reduzindo o acervo de processos, fortalecendo a confiança da sociedade e entregando justiça com mais agilidade. Foi uma demonstração viva de como os OKRs podem capacitar servidores públicos a superar estruturas ultrapassadas, focar nas necessidades do cidadão e gerar impacto real, mesmo com recursos limitados.
Marcos desmistifica os OKRs — da construção de arquiteturas robustas e da condução de check-ins eficazes à integração com gestão de projetos, análise de riscos, IA e pensamento sistêmico. Ele enfrenta as armadilhas — a faca de dois gumes das métricas e as peculiaridades do comportamento humano — com franqueza e sabedoria prática. A partir de exemplos reais do Brasil e de outros países, mostra como instituições públicas podem fechar a lacuna de execução, estimular a inovação e restaurar a credibilidade democrática.
Em uma época em que as democracias enfrentam dívidas crescentes, serviços ineficientes e confiança em queda, OKRs for the Public Sector é um farol de esperança e um chamado à ação. Adote-o e veja sua organização decolar.
Chris Sheppard C.Eng, FIMechE, BSc Ex-presidente global da divisão ferroviária da DaimlerChrysler Autor de Saving Democracies